Quando Rupert Murdoch, o poderoso CEO da News Corp. e um dos principais magnatas do negócio dos media anunciou que o The Times iria começar a cobrar pelos seus conteúdos online, uma das poucas certezas do mercado é que os números iriam descer. Quanto, porém, não se sabia ao certo.
Desde ontem que já sabemos.
De acordo com os dados da ComScore, revelados pela Media Week, o The Times perdeu, nos últimos três meses, 1,2 milhões de leitores online no Reino Unido.
A Media Week faz as contas. Em Maio, o ainda site gratuito atraiu 2,79 milhões de visitantes únicos no Reino Unido, uma ligeira subida em relação aos três meses anteriores.
A 25 de Maio, recorde-se, a News International lançou (separar é o verbo correcto) os dois novos sites – o The Times e The Sunday Times – começando a “obrigar” os leitores a registarem-se para lerem as notícias. A 2 de Julho começou a nova era do pagamento pelos conteúdos online.
De acordo com a ComScore, o número combinado de visitantes únicos nos dois novos sites desceu para os 1,61 milhões em Julho – partindo dos 2,22 milhões em Junho e dos tais 2,79 milhões em Maio.
Fazendo as contas, foram menos 1,2 milhões de visitantes únicos, por mês, entre Maio e Julho.
Entretanto, o tempo dispendido online nestes sites também desceu dos 7,6 minutos em Maio para os 5,8 em Junho e 4 em Julho.
Relacionando estes dados chegar-se-á à conclusão de que o número de assinantes online será, ainda assim, muito inferior a 1,6 milhões – muitos dos visitantes acederão ao site mas, não conseguindo entrar, seguem para outros destinos online.
As páginas vistas, como é óbvio, também decresceram: dos 29 milhões em Maio para os 20 milhões em Junho e 9 milhões em Julho.
De acordo com a Media Week, a News International ainda não se pronunciou. Nem sobre as novas audiências nem sobre as receitas que terá garantido através do novo esquema de pagamento online.
Dos grandes jornais, para além do The Times, apenas o Financial Times e o Wall Street Journal cobram pelos seus conteúdos online.
Quem ficou a ganhar foi o Mail Online, que subiu dos 8,74 para os 9 milhões de visitantes únicos e o Independent, que subiu dos 3,33 para os 3,54 milhões.
Nos próximos dias teremos – certamente – as primeiras declarações da News International. Ou uma vitória parcial – se tal representar aumento de vendas nas bancas ou de receitas online, através dos assinantes – ou uma (para já) assumpção de uma derrota.
Ironicamente, só a primeira interessa aos seus concorrentes.








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